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Instantâneos das Sanjoaninas 2000

Brinquedos da infância que viram arte

 


O cortejo de abertura das Festas Sanjoaninas 2000 presenteou os milhares de espectadores com algumas delícias do imaginário da infância comum universal ao qual também não escapam os angrenses que viveram, independentemente da idade, espaços da vida entrelaçados em brinquedos que apenas terão ficado para trás porque a vida andou para a frente. No intervalo, ficaram perfeitamente nítidas, recordações que o cortejo das Sanjoaninas 2000 vieram reavivar, com capricho e rigor, porque ainda a todos restam alguns nacos da infância que a vida, por mais comprida ou repleta, não conseguiu apagar. Hoje, "com um sorriso e um afecto"...

ENTRE O BERÇO e os primeiros passos, um brinquedo que nem sempre era adquirido nas lojas, sendo fabricado caseiramente por estremosas mãos de Pai. O cavalo de baloiço era o início ou o fortalecimento do equilíbrio e, em muitos casos, o repouso da Mãe, entre o colo e o berço, entre o biberão e a papa. Um dos primeiros brinquedos da vida...
OS COMBOIOS, pelo menos os primeiros, eram brinquedos feitos em lata que provocavam as emoções das primeiras viagens que começavam e acabavam no quintal em dias solarengos e que transportavam passageiros imaginados em histórias ouvidas aos serões. O progresso tornou-os mais rápidos e domesticados em pistas apropriadas.
A VONTADE de crescer, aliada ao desafio das leis da física, deverá ter criado as famosas andas que constituíram para os mais pequeninos, autênticos desafios e motivo de orgulho por ver tudo de um ponto mais elevado. Ser do tamanho do Pai ou pura e simplesmente motivo de divertimento. Foram moda e as suas corridas eram famosas entre o Alto das Covas e os Portões de São Pedro.

 


O PIÃO E O CARRO DE LINHAS terão passado de mão em mão e de geração, em geração como os brinquedos favoritos de uma fase em que eles começavam a aprender a nicar a vida com energia e elas iniciavam os primeiros treinos de rabo de gato, a apanhar o jeito que as levaria a bordar, um dia, o enxoval. A rir aprendia-se o sério...
A PRIMEIRA HISTÓRIA, para muitos, contada ao serão entre a papa e os medos da bruxa má, à mistura com outras do "Capuchinho Vermelho" e dos "Três Porquinhos", a "Branca de Neve" é um clássico que não há criança que a não tenha escutado atentamente e memorizado para, um dia, contar aos filhos e netos.
OUTRA HISTÓRIA de encantar: "O Soldadinho de Chumbo", que viajava num barco de papel e nunca ia ao fundo porque as nossas mãos o salvavam sempre a tempo. Com o seu andar mecanizado ao serviço de um rei ou rainha, eram um símbolo de aprendizagem da lealdade. Desfilaram pelas ruas de Angra, num cortejo de inesgotáveis recordações.
NINGUÉM viveu a infância sem ter ficado com algum carro na memória. Fosse de lata, plástico, ou mais sofisticado, andando a corda ou com controlo remoto. Construiam-se as primeiras viagens dentro do quarto, subindo janelas e enfrentando abismos de parapeito, marcaram o início do sentido de competitividade, a ver quem chegava primeiro, nem que fosse a riscar as peças do mobiliário.
O CIRCO sempre impressionou as crianças e entre o medo e a gargalhada, os palhaços sempre constituíram os momentos mais altos das recordações de infância, por entre as trapalhadas que faziam e os suaves momentos de música que criavam, nem que fosse com o som de um serrote bem afinado a cercar-nos de acordes do "Sole Mio".


in Diário Insular de 24/06/2000

 

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