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Jornal da Praia (JP)-"Meti-me por terras
fora/Abalei para a cidade/Veio comigo a "bela
aurora"/Não me esqueci a "saudade"".
Este vosso trabalho reúne composições
originárias do Alentejo, Minho, Açores e alguns inéditos.
Qual a razão de terem enveredado pela música
tradicional portuguesa?
Alma Popular/Tibério Carreiro (TC)-O projecto
traçado por mim é mesmo música popular.
As 12 músicas que compõe este nosso primeiro
trabalho, pelo facto de o grupo ser composto por malta jovem,
sofreram profundas alterações.
Não seguimos o popular açoreano, a sonoridade
típica da musica popular tradicional, a chamada "bezerrada".
Os arranjos efectuados pelo grupo denotam a
evolução que os temas originários sofreram.
Fazer arranjos, dá-nos um enorme gozo. É o
nosso estilo musical.
O próprio nome Alma Popular tem muito a
haver com o projecto inicialmente traçado por mim. É preciso ter
muita garra "popular" para ter malta jovem interessada a
tocar música tradicional portuguesa.
JP-A Ronda dos Quatro Caminhos, a Brigada Vitor
Jara, ou os Quadrilha de Sebastião Antunes, têm dado
continuidade às sonoridades da música tradicional portuguesa.
Quais são as vossas influências musicais?
TC-A música açoreana tem influências do
Continente, flamenga e outras. São criações originárias dos
Açores "Os Bravos", os "Olhos Pretos", são
exclusivamente músicas açoreanas.
Naturalmente, os temas originários começaram
por sofrer alterações ao longo dos anos, a exemplo da
introdução de novos instrumentais.
Cá nos Açores, somos muito ricos em muitas
composições de cariz folclórico tradicional. Todas as nove
ilhas têm as suas particularidades e riqueza de repertórios. O
isolamento motivou a improvisação.
No nosso caso, tentamos juntar os vários
estilos e criar um nosso. Tentamos evoluir.
Os Quadrilha, a Brigada Vitor Jara ou a Ronda
dos Quatro Caminhos, têm elementos jovens e tal como os Alma
Popular influenciam um tipo de música mais ligeiro e menos
carregado de tradicional, o que torna a música popular, muito
mais bonita.
JP-Qual é a vossa formação musical?
TC-Desde o Conservatório ao simples tocar pelo
ouvido. A nossa diversificada formação musical adapta-se ao
nosso estilo musical. A própria criação musical funciona de
acordo com a formação musical de cada elemento que compõe os
Alma Popular.
Muitas vezes aparece a letra e de seguida a
parte musical, o que torna, o acto criativo muito mais difícil.
Normalmente, fazemos as músicas e depois
surgem as letras.
Quando ensaiámos, temos a noção do que
pretendemos fazer. Os elementos que têm formação musical,
elaboram os acordes e os arranjos mais complexos, e que requerem
maior cuidado musical.
JP-A presença do cavaquinho é pouco usual em
grupos açoreanos. Nas "Cantigas de Terreiro", este
instrumento está praticamente presente em todas as faixas. O
porquê da utilização deste instrumento?
O cavaquinho é um instrumento pequenino, mas
com alma grande. Caí bem em qualquer tema.
Funciona como suporte e acompanhamento. O
bandolim também faz alguns acompanhamentos. Também utilizamos
outros instrumentos.
A utilização deste instrumento deve-se
também ao excelente som transmitido pela sua caixa acústica.
Quando formei o grupo, o cavaquinho foi um dos
instrumentos logo aprovados.
O lema do grupo é nada de instrumentais
eléctricos, tudo instrumentos acústicos ou semi-acústicos, o
que, também, nos facilita nas deslocações.
JP-O público tem sido receptível às
"Cantigas de Terreiro"?
TC-Antes de sair o CD, o público já conhecia
o nosso trabalho.
Quando estamos em palco, sentimos que desde os
mais novos aos mais velhos, todos vibram com as nossas
actuações.
A forma como fazemos os arranjos, a maneira
como tocamos, o próprio estilo do grupo, atinge todas as idades.
A edição de "Cantigas de Terreiro",
veio reforçar a aceitação ao projecto "Alma Popular".
As próprias estações de rádio começam também divulgar os
nossos temas. O número de espectáculos aumentou.
Sem dúvida que um trabalho registado reforça
e dá muito mais ênfase ao grupo. A qualquer grupo.
Os anos de 98 e 99 foram grandemente positivos
para nós.
JP-...e em termos de mercado?
TC-Estamos a aproveitar a edição do CD.
Este trabalho foi na sua totalidade custeado
por nós. Editamos 1000 CDs.
Neste momento, o grupo promove e tem a gestão
das vendas.
Abranger um mercado mais vasto, provavelmente,
passaria pela possibilidade de "engatar" este CD num
qualquer distribuidor com projecção.
Todas as rádios dos Açores e algumas do
Continente têm uma cópia.
Os produtores que existem nos Açores não
querem ganhar dinheiro. Contactei por três vezes, via fax, um
produtor açoriano, no sentido de nos facultar um orçamento para
2000 CDs. Até à data nada!
JP-Como é que decorreram as gravações?
TC-Gravamos na Igreja de Santo Cristo.
Foram grandes maratonas. Em apenas três dias,
gravamos todo o material em bruto que, segui para os processos de
mistura e masterização.
Começávamos às 19H30 e terminávamos pelas 4
ou 5 da madrugada.
Felizmente que o movimento aéreo, nos três
dias de gravação, foi praticamente nulo. Santo Cristo protegeu a
gravação!
Todo este processo foi dirigido e executado
pelo terceirense Emiliano Toste.
Não estávamos minimamente preparados mas, o
Emiliano Toste, colocou-nos logo no plano de trabalho previamente
estipulado por ele, o que nos facilitou bastante. Assim,
conseguimos adaptar-nos ao ritmo profissional das gravações.
JP-Os "Alma Popular" no futuro?
T.C.-De momento, trabalhar mais os actuais
temas. Reformular o nosso repertório. Dar uma nova cara.
Vamos, também, trabalhar novos temas do nosso
vasto repertório da música tradicional portuguesa.
Um próximo CD está dependente da aceitação
do público a este nosso primeiro trabalho. Talvez daqui a um ou
dois anos. Não vamos marcar prazos.
Dentro de pouco tempo, o grupo tem a
possibilidade de ir à Semana Cultural no Canadá que decorre de
21 a 30 deste mês.
Aproveitaremos esta deslocação para promover
as "Cantigas de Terreiro".
Alma Popular
Composto por 12
temas retirados do vasto repertório da música tradicional
portuguesa, o primeiro trabalho editado pelo grupo praiense
"Alma Popular" e apresentado a 30 de Julho do corrente
ano no Espaço Praia Cultural, "Cantigas de Terreiro",
promete lançar a Praia da Vitória no panorama musical
português.
Os sete
elementos que compõe o grupo: Tibério Carreiro (cavaquinho,
bandolim, coros e voz solo); Evandro Machado (acordeão, bandolim,
coros e voz solo); José Aurélio (violão baixo e coros); Pedro
Machado (flauta, bandolim, cavaquinho, coros e voz solo); Pedro
Forte (banjo bandola, bandolim e coros); Jorge Areia (violão e
coros) e Pedro M. Machado (percussões), apresentam-se em palco de
forma muito solta e simples. O estilo musical que imprimem às
actuações, prendem a atenção do público. Desde o miúdo ao
avôzinho, todos batem o pé.
Inicialmente com
6 elementos, os "Alma Popular", em 1 de Setembro de
1996, começam a dar os primeiros passos. Actuam em festas
particulares e efectuam trabalhos de estúdio. Procuram um estilo
próprio e adequado ao projecto inicialmente traçado pelo
fundador Tibério Carreiro. Os convites começam também a
aparecer, tendo sido, os anos de 98 e 99, grandemente aproveitados
por este grupo praiense.
Com direcção
artística de Tibério Carreiro, gravação e masterização de
Emiliano Toste, concepção gráfica e fotografia de Carlos
Armando, as "Cantigas de Terreiro", buscam no suporte da
flauta ou do cavaquinho, esse instrumento pequeno mas de alma
grande, um estilo muito próprio e evolutivo no panorama da musica
tradicional, quer açoriana, quer continental.
Nos 12 temas que
compõe este álbum, os "Alma Popular" leva-nos a
percorrer Portugal em 49 minutos. No Minho um pé de dança com a
"Chula de Cabril", no Alentejo visita-se o "Menino
Jesus" e no de regresso à Terceira, assistir a uma
"Tourada" na Vila Nova. |