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Entrevista de
José Garcia
A voz do desportivo da Praia
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Maria Eduarda da Silva Oliveira foi
eleita Presidente da Direcção para o biénio desportivo
1999/2001 do recente criado Clube Desportivo da Praia da
Vitória.
O Clube Desportivo da Praia da Vitória
participará pela primeira vez nas provas sob a égide da
Associação de Futebol de Angra do Heroísmo (AFAH), nos
escalões etários de Escolas, Infantis, Iniciados, Seniores
Masculinos.
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Esta agremiação desportiva foi fundada a 15
de Dezembro de 1998, tendo-se filiado na AFAH em 26 de Janeiro de
1999.
Uma troca de impressões sobre o futuro do mais
recente clube desportivo da Praia da Vitória e da Ilha Terceira
onde abordamos o historial, a situação financeira e desportiva
bem como outros assuntos da vida de um clube.
Jornal da Praia (JP) - Como apareceu o CD
Praia?
Maria Eduarda Oliveira (MEO) - O Desportivo
da Praia foi fundado por um grupo de amigos do futebol que
decidiram participar nas provas de futebol feminino, na
Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.
JP - Como decorreu a época desportiva
passada?
MEO - A temporada passada constituiu um
êxito desportivo e promocional do Desportivo da Praia, pela
classificação alcançada no Campeonato e na Taça da Terceira,
atingindo, em ambas as referidas competições, um terceiro lugar,
o que para a primeira participação é considerado excelente.
JP - Como se procedeu a sua candidatura ao
cargo máximo do CD Praia?
MEO - Fui convidada por membros da
Direcção anterior e resolvi auscultar os sócios para a
formação de uma lista candidata aos órgãos sociais, a qual,
foi eleita por unanimidade.
A partir da eleição, convidamos os
treinadores que queriam colaborar com o Desportivo da Praia, nas
várias modalidades e escalões.
JP - Qual é a situação financeira do
clube?
MEO - Neste momento, existe um saldo
financeiro positivo e estamos a lutar para adquirir mais receitas,
para fazer face às despesas, principalmente, com o futebol, sendo
uma modalidade muito dispendiosa.
JP - A nível desportivo, qual é aposta do
CD Praia?
MEO - A grande aposta de um clube é o
futebol. Assim, participamos com uma equipa de futebol sénior nos
quadros competitivos da AFAH, para além dos escalões de Escolas,
Infantis e Iniciados Masculinos, temos a equipa de futebol
feminino que manterá a sua actividade.
JP - Quais as modalidades que participarão
nas Associações da Terceira?
MEO - Existe contactos com todas as
Associações de Modalidade de Terceira para a participação em
provas organizadas por estas, em vários escalões etários. Para
que tal aconteça, será necessário o apoio destas instituições
desportivas, quer em inscrições, equipamentos e transportes como
aconteceu no futebol.
Caso contrário, fica adiada a nossa
participação nestas actividades desportivas.
JP - Quais os apoios que o CD Praia tem
recebido?
MEO - O Desportivo da Praia tem agradecer
os apoios financeiros do comércio da Praia da Vitória. Em
destaque, aqueles que contribuíram com equipamentos e outros
acessórios para ultrapassar muitas dificuldades em equipamentos
desportivos. A Câmara Municipal da Praia da Vitória tem
contribuído muito com o Desportivo da Praia, bem como a Junta de
Freguesia de Santa Cruz da Praia da Vitória.
Outras formas de receitas tem sido o apoios dos
sócios e simpatizantes na adesão a várias campanhas como o
Cartão Cativo e outros sorteios com o fim de angariar fundos para
fazer face as despesas.
JP - Para quando a sede social para o CD
Praia?
MEO - Estamos a estudar a possibilidade de
aluguer de um espaço para a sede social com o fim de reunir os
sócios. simpatizantes e atletas do Desportivo da Praia. Estamos a
trabalhar para que isto aconteça o mais rápido possível.
JP - As relações com outros clubes
desportivos?
MEO - As nossas relações com outras
colectividades desportivas podiam ser melhor. Infelizmente não é
o que acontece.
Temos defendido o diálogo mas a divisão
horária do Campo de Jogos da Praia da Vitória abriu
"feridas" o que certos clubes ainda não aceitaram e
fazem tudo para denegrir a imagem do Desportivo da Praia.
Lamentavelmente todos os dirigentes concordaram com o horário
estabelecido numa reunião com a Câmara Municipal da Praia da
Vitória.
JP - Para terminar, o que tem acrescentar?
MEO - Agradecer esta oportunidade para
esclarecer os sócios e jogadores das nossas intenções para o
Desportivo da Praia, bem como os leitores do Jornal da Praia.
Editorial
+ Cota Moniz
Já tudo – quase tudo – foi dito sobre
Timor. O horror, a vergonha, a infâmia, a traição, e também o
heroísmo, a fraternidade, a denuncia, a persistência, o
martírio.
E mesmo o sangue sujo de lama, a carne
queimada, a fazenda destruída, homens e mulheres – famílias
– enjaulados como animais, e animais ferozes com cara de humanos
a berrarem ameaças; tudo e todos levou a Alma Lusíada a
levantar-se e a dizer NÃO e NÃO. E da esquerda à direita, do
poder ao oprimido, do rico ao rendimento mínimo; dos
regionalistas aos integristas, dos internacionalistas aos
caseiros; fomos todos um só, um Povo que se alevanta contra o
Adamastor.
E subitamente afastamos a vergonha e o
estúpido complexo de culpa, e esta humilhação continuada de
África a quem não soubemos evitar a guerra civil e o êxodo de
europeus e africanos; e esta sensação de termos andado 13 anos a
fazer uma guerra que nos dizem sem honra; tudo se redime num
grito, num nome encantado: Timor Loro Sae ! E Xanana e Ximenes e
Carrascalão e todos os do País-Ilha que fica no Sol Nascente,
todos somos nós, e valeu e vale a pena. Em certo e muito sentido
o Povo Maubere ao gritar LIBERDADE sob os golpes da catana,
deu-nos a oportunidade de nos pormos todos de pé, todos vestidos
de branco, de branco trajados, de branco enraivecidos dizermos
NUNCA MAIS... ! NÃO ABANDONAMOS! NÃO DEIXAMOS!
Foi lindo, apesar do horror, da carnificina. E
o mundo perdeu os argumentos das soberanias, do petróleo, dos
mares, dos bancos, da moeda.
E o soldado pode finalmente dizer ao filho:
Sim, fui a África lutar. Não queria fazer mal, mas só defender.
Acreditava que brancos, negros e asiáticos podiam constituir uma
comunidade. Não queria oprimir ninguém. E se hoje me mandassem
para Timor, ia também, com a Mauser a arder nas e a Senhora dos
Milagres ao peito. Ah Milícia dum raio, chega-te cá que o
rabo-torto ainda levanta o braço, nem que seja com a enxada! Que
antes morrer livres que em paz sujeitos!
E para o Ocidente me volto, para os Novos
Mundos para onde os nossos um dia emigraram em busca de vida que
aqui não tiveram. Visitam-nos todo o ano, mas especialmente no
Verão, por altura das Festas da sua freguesia natal.
Trajam por vezes de forma diferente, à moda
das terras donde vêm, e alguns falam dum jeito extravagante,
misturando o português com termos em inglês, num crioulo
engraçado e vivo. Outros ,das gerações mais novas,
assemelham-se mesmo a estrangeiros no trajar e gostos, não
dispensando a "fast-food", que a pizza e o hamburger já
falam todas as línguas do mundo.
E era a eles que hoje ia cumprimentar, porque,
como meu pai sempre disse, um homem deve ser amigo do seu amigo. E
vocês, emigrantes, não são visitas. esta terra é vossa, muitas
vezes mais do que dos que cá estão, esquecidos do essencial, e
entretidos com as guerrilhas do poder e dos interesses. Em terra
estranha erguem todos os dias a bandeira do trabalho esforçado,
à força do braço e da inteligência. Engrandecendo a terra que
vos acolheu, mas conservando sempre o coração nestas Ilhas que
vos foram madrastas.
Como o terceirense Isidro Meneses, Mayor de
Artesia, cidade irmã da Praia da Vitória, teve ocasião de
afirmar em visita aos Paços do Concelho da Praia, não se trata
de política, mas de comunidade, de fraternidade. É um abraço de
irmãos separados pelo mar e a imensidão das Américas, Canadá,
Brasil, austrália, África.
Vocês que nos perdoem nem sempre
correspondermos ao vosso coração grande, ao vosso anseio de tudo
o que é açoreano, conservando as nossas tradições mais
autênticas, lutando pelo progresso destas Ilhas, por forma a que
outros não sofram o abalo da partida. Não será por mal. É este
nevoeiro do Atlântico. Porque a generalidade não vos vê como
meros turistas e máquinas de divisas, mas como irmãos que nos
recebem sempre galhardamente em vossas casas, e quando para cá
vêm, de visita ou de regresso à Ilha, estão no que por direito
vos pertence.
E desculpem ter o Jornal da Praia começado
pelo Nascente ,antes de vos abraçar a Ocidente. No fundo
encontramo-nos no caminho, pois que se hoje nos erguemos por
Timor, vocês ergueram-se sempre pelos Açores quando foi preciso.
Bem hajam pelo vosso exemplo de apego à terra.
A casa está sempre às ordens, porque é também e muito vossa.
Até pró ano. Até sempre.
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