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O Quinzenal da Cidade da Praia da Vitória - Açores

Jornal da Praia

Edição de 15 de Outubro de 1999       Ano XVII     Nº 278

Igreja Matriz


 
 
  Via Oceânica, Marketing e Informática, Lda.

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Entrevista de
José Garcia

A voz do desportivo da Praia

Maria Eduarda da Silva Oliveira foi eleita Presidente da Direcção para o biénio desportivo 1999/2001 do recente criado Clube Desportivo da Praia da Vitória.

O Clube Desportivo da Praia da Vitória participará pela primeira vez nas provas sob a égide da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo (AFAH), nos escalões etários de Escolas, Infantis, Iniciados, Seniores Masculinos.

Esta agremiação desportiva foi fundada a 15 de Dezembro de 1998, tendo-se filiado na AFAH em 26 de Janeiro de 1999.

Uma troca de impressões sobre o futuro do mais recente clube desportivo da Praia da Vitória e da Ilha Terceira onde abordamos o historial, a situação financeira e desportiva bem como outros assuntos da vida de um clube.

 

Jornal da Praia (JP) - Como apareceu o CD Praia?

 

Maria Eduarda Oliveira (MEO) - O Desportivo da Praia foi fundado por um grupo de amigos do futebol que decidiram participar nas provas de futebol feminino, na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.

 

JP - Como decorreu a época desportiva passada?

 

MEO - A temporada passada constituiu um êxito desportivo e promocional do Desportivo da Praia, pela classificação alcançada no Campeonato e na Taça da Terceira, atingindo, em ambas as referidas competições, um terceiro lugar, o que para a primeira participação é considerado excelente.

 

JP - Como se procedeu a sua candidatura ao cargo máximo do CD Praia?

 

MEO - Fui convidada por membros da Direcção anterior e resolvi auscultar os sócios para a formação de uma lista candidata aos órgãos sociais, a qual, foi eleita por unanimidade.

A partir da eleição, convidamos os treinadores que queriam colaborar com o Desportivo da Praia, nas várias modalidades e escalões.

 

JP - Qual é a situação financeira do clube?

 

MEO - Neste momento, existe um saldo financeiro positivo e estamos a lutar para adquirir mais receitas, para fazer face às despesas, principalmente, com o futebol, sendo uma modalidade muito dispendiosa.

JP - A nível desportivo, qual é aposta do CD Praia?

MEO - A grande aposta de um clube é o futebol. Assim, participamos com uma equipa de futebol sénior nos quadros competitivos da AFAH, para além dos escalões de Escolas, Infantis e Iniciados Masculinos, temos a equipa de futebol feminino que manterá a sua actividade.

 

JP - Quais as modalidades que participarão nas Associações da Terceira?

 

MEO - Existe contactos com todas as Associações de Modalidade de Terceira para a participação em provas organizadas por estas, em vários escalões etários. Para que tal aconteça, será necessário o apoio destas instituições desportivas, quer em inscrições, equipamentos e transportes como aconteceu no futebol.

Caso contrário, fica adiada a nossa participação nestas actividades desportivas.

JP - Quais os apoios que o CD Praia tem recebido?

MEO - O Desportivo da Praia tem agradecer os apoios financeiros do comércio da Praia da Vitória. Em destaque, aqueles que contribuíram com equipamentos e outros acessórios para ultrapassar muitas dificuldades em equipamentos desportivos. A Câmara Municipal da Praia da Vitória tem contribuído muito com o Desportivo da Praia, bem como a Junta de Freguesia de Santa Cruz da Praia da Vitória.

Outras formas de receitas tem sido o apoios dos sócios e simpatizantes na adesão a várias campanhas como o Cartão Cativo e outros sorteios com o fim de angariar fundos para fazer face as despesas.

 

JP - Para quando a sede social para o CD Praia?

 

MEO - Estamos a estudar a possibilidade de aluguer de um espaço para a sede social com o fim de reunir os sócios. simpatizantes e atletas do Desportivo da Praia. Estamos a trabalhar para que isto aconteça o mais rápido possível.

JP - As relações com outros clubes desportivos?

 

MEO - As nossas relações com outras colectividades desportivas podiam ser melhor. Infelizmente não é o que acontece.

Temos defendido o diálogo mas a divisão horária do Campo de Jogos da Praia da Vitória abriu "feridas" o que certos clubes ainda não aceitaram e fazem tudo para denegrir a imagem do Desportivo da Praia. Lamentavelmente todos os dirigentes concordaram com o horário estabelecido numa reunião com a Câmara Municipal da Praia da Vitória.

 

JP - Para terminar, o que tem acrescentar?

 

MEO - Agradecer esta oportunidade para esclarecer os sócios e jogadores das nossas intenções para o Desportivo da Praia, bem como os leitores do Jornal da Praia.

 

Editorial

+ Cota Moniz

Já tudo – quase tudo – foi dito sobre Timor. O horror, a vergonha, a infâmia, a traição, e também o heroísmo, a fraternidade, a denuncia, a persistência, o martírio.

E mesmo o sangue sujo de lama, a carne queimada, a fazenda destruída, homens e mulheres – famílias – enjaulados como animais, e animais ferozes com cara de humanos a berrarem ameaças; tudo e todos levou a Alma Lusíada a levantar-se e a dizer NÃO e NÃO. E da esquerda à direita, do poder ao oprimido, do rico ao rendimento mínimo; dos regionalistas aos integristas, dos internacionalistas aos caseiros; fomos todos um só, um Povo que se alevanta contra o Adamastor.

E subitamente afastamos a vergonha e o estúpido complexo de culpa, e esta humilhação continuada de África a quem não soubemos evitar a guerra civil e o êxodo de europeus e africanos; e esta sensação de termos andado 13 anos a fazer uma guerra que nos dizem sem honra; tudo se redime num grito, num nome encantado: Timor Loro Sae ! E Xanana e Ximenes e Carrascalão e todos os do País-Ilha que fica no Sol Nascente, todos somos nós, e valeu e vale a pena. Em certo e muito sentido o Povo Maubere ao gritar LIBERDADE sob os golpes da catana, deu-nos a oportunidade de nos pormos todos de pé, todos vestidos de branco, de branco trajados, de branco enraivecidos dizermos NUNCA MAIS... ! NÃO ABANDONAMOS! NÃO DEIXAMOS!

Foi lindo, apesar do horror, da carnificina. E o mundo perdeu os argumentos das soberanias, do petróleo, dos mares, dos bancos, da moeda.

E o soldado pode finalmente dizer ao filho: Sim, fui a África lutar. Não queria fazer mal, mas só defender. Acreditava que brancos, negros e asiáticos podiam constituir uma comunidade. Não queria oprimir ninguém. E se hoje me mandassem para Timor, ia também, com a Mauser a arder nas e a Senhora dos Milagres ao peito. Ah Milícia dum raio, chega-te cá que o rabo-torto ainda levanta o braço, nem que seja com a enxada! Que antes morrer livres que em paz sujeitos!

E para o Ocidente me volto, para os Novos Mundos para onde os nossos um dia emigraram em busca de vida que aqui não tiveram. Visitam-nos todo o ano, mas especialmente no Verão, por altura das Festas da sua freguesia natal.

Trajam por vezes de forma diferente, à moda das terras donde vêm, e alguns falam dum jeito extravagante, misturando o português com termos em inglês, num crioulo engraçado e vivo. Outros ,das gerações mais novas, assemelham-se mesmo a estrangeiros no trajar e gostos, não dispensando a "fast-food", que a pizza e o hamburger já falam todas as línguas do mundo.

E era a eles que hoje ia cumprimentar, porque, como meu pai sempre disse, um homem deve ser amigo do seu amigo. E vocês, emigrantes, não são visitas. esta terra é vossa, muitas vezes mais do que dos que cá estão, esquecidos do essencial, e entretidos com as guerrilhas do poder e dos interesses. Em terra estranha erguem todos os dias a bandeira do trabalho esforçado, à força do braço e da inteligência. Engrandecendo a terra que vos acolheu, mas conservando sempre o coração nestas Ilhas que vos foram madrastas.

Como o terceirense Isidro Meneses, Mayor de Artesia, cidade irmã da Praia da Vitória, teve ocasião de afirmar em visita aos Paços do Concelho da Praia, não se trata de política, mas de comunidade, de fraternidade. É um abraço de irmãos separados pelo mar e a imensidão das Américas, Canadá, Brasil, austrália, África.

Vocês que nos perdoem nem sempre correspondermos ao vosso coração grande, ao vosso anseio de tudo o que é açoreano, conservando as nossas tradições mais autênticas, lutando pelo progresso destas Ilhas, por forma a que outros não sofram o abalo da partida. Não será por mal. É este nevoeiro do Atlântico. Porque a generalidade não vos vê como meros turistas e máquinas de divisas, mas como irmãos que nos recebem sempre galhardamente em vossas casas, e quando para cá vêm, de visita ou de regresso à Ilha, estão no que por direito vos pertence.

E desculpem ter o Jornal da Praia começado pelo Nascente ,antes de vos abraçar a Ocidente. No fundo encontramo-nos no caminho, pois que se hoje nos erguemos por Timor, vocês ergueram-se sempre pelos Açores quando foi preciso.

Bem hajam pelo vosso exemplo de apego à terra. A casa está sempre às ordens, porque é também e muito vossa.

Até pró ano. Até sempre.

 

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