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editorial
PRESIDÊNCIA ABERTA
E GUERRILHAS FECHADAS
Falta muitas vezes a certos políticos, mais preocupados com o seu
umbigo do que com o bem comum, o bom senso para distinguirem as tricas caseiras e os
interesses de grupo de amigos, normalmente bem instalados na vida, das reais necessidades
e carências da população. Aflige-os a frequência ou ausência nos noticiários. Uma
semana sem que o Jornal lhes traga a fotografia e a referência a bocas e amuos, é o
suficiente para uma conferência e uma reunião do estado maior.
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Estão mesmo convencidos da infalibilidade das suas receitas,
traduzidas no quero, posso e mando. Dificilmente enxergam para além do seu poleiro, e só
conseguem trabalhar com um coro de hosanas dos habituais homens de mão.
Claro que quando saem da sua quinta, e não possuem o confortável
apoio duma complacente maioria, perdem o juízo e a compostura, e o ridículo cobre-lhes a
soberba.
Antes de mais conviria que distinguissem o pessoal do institucional. Um
governo, uma Assembleia, uma Autarquia, podem ter afinidades com famílias políticas
diferentes, mas todavia as populações que governam são as mesmas, e os interesses
destas devem sobrepor-se a guerrinhas de comissões políticas despeitadas pela falta das
cadeiras a que estão habituadas. Caramba! Deixem sentar os outros de vez em quando!
Como o Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, teve
ocasião de salientar com elegância e elevação, há que saber possuir a visão do
conjunto, destas nove Ilhas que são geograficamente Arquipélago e administrativa e
politicamente Região Autónoma. E concretamente desta Ilha Terceira de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que sendo a segunda mais populosa não deixa de ter a dimensão que tem,
certamente modesta à escala planetária e mesmo nacional.
A estrada do Mato, a Achada, ou Via Rápida como hoje a designam, ou
ainda estrada Vitorino Nemésio por iniciativa de Angra, não poderá nunca ser uma
fronteira, independentemente de quem exerça em concreto o poder num ou noutro concelho.
Na Ilha não há fronteiras de entrada e saída, para além do Mar que a todos nos limita
e abraça.
Praienses e Angrenses, quer queiram ou não, vivam ou trabalhem numa ou
noutra parte da Ilha, pertençam ou não a uma ou outro clube, são parte dum todo, e se
hoje chove a Oeste, amanhã pode a terra tremer a Nascente. As estruturas básicas,
independentemente de se situarem no território dum ou doutro concelho, e das questões
específicas daí resultantes, são para uso e benefício comum.
E não só da Ilha, mas do Arquipélago inteiro. Ou se surgisse
petróleo no Corvo era só para os 350 habitantes...?
E esta pertença a um todo regional e insular tem de ser exprimido pelo
respeito que nos merece o Governo Regional dos Açores, e concretamente o seu actual
Presidente, Carlos César. Ao contrário do que possam pensar algumas mentes mesquinhas e
tacanhas na sua forma caseira de fazer política, o ignorar ostensiva e publicamente o
Presidente do Governo, como sucedeu ainda agora, pela inauguração do Estádio Municipal
da Praia da Vitória, ainda por cima perante o Presidente da República e comitiva, em
nada dignifica os Açores.
Questões de Estado, isso sim, seria o debate sobre o Estado Regional,
que tanta celeuma levantou recentemente, por que foi Jardim que o disse. Há anos, desde
1979 pelo menos, que um Partido Político, o do Atlântico, nascido nas Ilhas, fala no
assunto sem qualquer eco. Pudera! Não tem as tais cadeiras para oferecer...
Questões de Estado também a famosa definição de questões
específicas ,que o tribunal Constitucional da República Portuguesa sempre reduziu a
abalos, anti-ciclones e pouco mais (agora a areia, amanhã - ou já hoje - o peixe, os
minerais, os combustíveis, enfim, o peixe de fundo...).
Agora, viver obcecado pelas próximas eleições e pela ambição do
poder, é defraudar a Terra e as Populações.
Higinio Borges de Meneses
Uma figura ilustre nacional
Higinio Borges de Meneses,
natural de Santa Cruz da Praia da Vitória, nasceu a 23 de Janeiro de 1912, na Rua de São
Paulo. Filho de Higinio Borges do Rego e de Maria Inês Borges.
Fez a instrução primária na então Vila da Praia e aos 17 anos
decidiu formar-se , cursando então o Liceu de Angra, tendo por explicador o Dr. Teotónio
Machado Pires, seguindo depois para o Continente.
Viria a licenciar-se em Direito (Ciências HistóricoJurídicas)
pela Universidade de Lisboa no dia 12 de Julho de 1939 com distinção, 17 valores de
média.
No ano seguinte, em Março, ocupava o cargo de 3º oficial da
Secretaria-Geral do Ministério da Educação Nacional. Em Outubro do mesmo ano passava a
exercer o cargo de Chefe de Secção da DirecçãoGeral da Fazenda Pública. Ambos
os cargos que exerceu, nas provas de classificação viria a ser o primeiro classificado.
Em 1942 estagiou junto da Comissão das Construções Prisionais,
Ministério das Obras Públicas e Comunicações, acumulando funções na Cadeia
Penitenciária de Lisboa, Cadeias Civis Centrais de Lisboa bem como, no Instituto de
Criminologia também em Lisboa.
Em Setembro de 1944 começou a exercer o lugar de Chefe de Secção de
Consultas Jurídicas do Ministério da Justiça.
Dois anos depois, Janeiro de 1946, passa a desempenhar o cargo de Chefe
da Repartição Técnica da DirecçãoGeral dos Serviços de Registo e do Notariado.
Em Novembro de 1952 inicia funções de Chefe do Gabinete do Ministro
do Interior, Dr. Joaquim Trigo de Negreiros. Em 1956 seria o Administrador da Imprensa
Nacional de Lisboa. Com a passagem desta a empresa pública, ocupava então o cargo de
Presidente do Conselho de Administração. Dois anos depois, dá-se a fusão da Imprensa
Nacional de Lisboa com a Casa da Moeda e Higinio Borges de Meneses passa a ocupar o lugar
de AdministradorGeral da recém criada empresa pública.
Paralelamente aos cargos que ocupou durante 30 anos, exerceu também a
advocacia, além, de colaborar activamente no Boletim do Ministério da Justiça e na
elaboração de diversos projectos de diplomas legislativos sobre assuntos vários (1).
Higinio Meneses casou em Lisboa, a 14 de Dezembro de 1940, com Leonor
Corvelo Ávila, natural da Sé de Angra. Deste casamento teve dois filhos.
Após passar à reforma, o Dr. Higinio Borges de Meneses, começou a
visitar assiduamente a terra que o viu nascer. É de recordar, numa dessas visitas,
Setembro de 1988, data da reabertura ao culto da Matriz da Praia da Vitória, no qual,
este ilustre praiense foi o orador oficial da Sessão Solene que se realizou Salão Teatro
Praiense. O discurso proferido, encantou, enchendo a alma aos praienses.
Era uma pessoa afável e de uma bondade extrema para como seu
semelhante. Das inúmeras cartas, enviadas pelos seus conterrâneos, que recebia no
Continente, a todos respondia.
Aquando a sua morte, no passado dia 8 de Julho, os sinos da
Misericórdia da Praia da Vitória dobraram pelo desaparecimento deste ilustre filho desta
Cidade.
Foi colaborador frequente e empenhado deste Jornal. É de salientar os
inúmeros artigos de opinião, bem como os outros trabalhos que ficarão, não apenas na
ténue memória dos leitores, mas para a posteridade. A recordar os artigos de figuras
histórias da nossa ilha: António Jacinto Ázera; Dr. Ramiro Machado, ou ainda o artigo,
publicado no ano passado intitulado "Recordações da Mocidade O Eugénio que
conheci em rapaz".
Será publicado em breve e em jeito de Post Scriptum um trabalho que
escreveu para o Jornal da Praia referente a D. José Vieira Alvernaz, padre da Matriz da
Praia da Vitória, Provedor da Santa Casa da Misericórdia e Capelão do Lar D. Pedro V.
(1) Merelim, Pedro de Freguesias da Praia, vol II, ed.
Direcção Regional de Orientação Pedagógica da S.R.E.C., A.H., 1983, pp 634-635.
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