Jornal da Praia

O Quinzenal da Cidade da Praia da Vitória - Açores

Jornal da Praia

Edição de 09 de Julho de 1999       Ano XVII     Nº 275

Igreja Matriz

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Destaque

Mãos cheias de projectos

Recuperar o edifício do actual Centro de Saúde da Praia e concluir a construção da farmácia são, para já, os dois grandes projectos da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, comentou em voz alta Francisco Jorge - O Provedor – ao nosso jornal.

A conclusão rápida da nova farmácia é, para já, a grande prioridade, uma vez que é considerada como o ganha pão (principal fonte de receita) para misericórdias que esta instituição tem de praticar dia-a-dia.

Depois, mãos à obra recuperar e adaptar o actual Centro de Saúde, cujo edifício pertence à Santa Casa, numa Enfermaria de Rectaguarda – um complemento ao Lar D. Pedro V – para doentes acamados e em fase terminal.

Os sonhos não custam dinheiro e como, quando o homem sonha... O Provedor da Santa Casa (também conhecido por "irmão Francisco") tem uma mão cheia (pelo menos uma. Cada vez que sonha) de projectos. A construção de um Abrigo Amigo – com edifício já adquirido -, a construção de novas instalações para o Jardim de Infância de S. Lázaro (no mesmo local) e continuar a lutar contra a pobreza através das "Sementes de Mudança".

Francisco Jorge não quer também descorar a luta contra a toxicodependência e o alcoolismo, por isso, garante que vai continuar a trabalhar de mãos dadas com o Instituto de Acção Social - para que as "Obras" da Misericórdia cheguem a todos os necessitados.

O "irmão" Francisco garante ainda que 500 anos depois a Santa Casa da Praia da Vitória ainda tem muito caminho para desbravar e para tal basta trabalhar e sonhar. Daquí a 500 anos veremos, que afinal ainda havia muito caminho para percorrer – diz com ar de quem está cá para ver. Veremos!

R.M./M.C.

 

A maior festa dos últimos
500 anos

A Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória festejou nos dias 25 e 26 de Junho o encerramento das Comemorações dos seus 500 anos.

Do programa constou, no dia 25 de Junho, Sábado, o lançamento do Livro "Misericórdia da Praia da Vitória –Memória Histórica", da autoria do escritor Valdemar Mota, com capa e contra capa de Cota Moniz.

Foram oradores Cota Moniz, Presidente da Assembleia Geral, desta Instituição praiense, que frisou, no seu discurso de apresentação, o facto de esta obra ser também "uma provocação para o futuro" e, João Maria Mendes, elemento da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, fez referência a vasta obra de Valdemar Mota e uma breve resenha deste novo livro.

Dividido em 4 capítulos, com prefácio do historiador Joaquim Veríssimo Serrão, esta edição comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, segundo Valdemar Mota: " pretende dar ao leitor uma perspectiva histórica, possibilitando futuras investigações" ideia também solidificada por João Maria Mendes.

Do programa constou ainda a ante-estreia do espectáculo "Sermão de Santo António aos Peixes" do Padre António Vieira, cuja encenação dramartúrgica e concepção esteve a cargo do actor Gonçalo Oliveira, produção de Filomena Viveiros, com música original de Marco Aurélio e cenografia do arquitecto Bruno Pereira Leite.

No dia 26 houve lugar a uma Missa de Acção de Graças na Igreja de Santo Cristo, com Coroação.

Seguiu-se uma almoço tradicional, função, que contou com mais de 450 pessoas.

 

Uma História com 500 anos

Durante a Idade Média cabia ao Clero, às ordens medicantes, assistir os mais pobres e só indirectamente os doentes.

A Assistência não entendida como uma função de um poder instituído, neste caso a Monarquia, mas sim, de todos os Cristãos -praxis assistencial como objectivo a salvação eterna individual.

Na Europa de Trezentos e mais tarde em Portugal, o conceito de Assistência passa a ser entendido como uma função do poder central. O que era entendido como uma prática de direito religioso, torna-se uma preocupação do poder político. Quando D. João II cria, em Lisboa, o hospital real de Todos-os-Santos, na calha, estaria o enfraquecimento da Igreja.

Quando D. Leonor, esposa de D. João II. instituiu a 15 de Agosto de 1498 a primeira Misericórdia do país, a Misericórdia de Lisboa, esta enquadrava-se também nesta nova visão de assistência centralizadora.

A Misericórdia da Praia.

Não se sabe ao certo a data da sua fundação. Aponta-se para o ano de 1498, tendo por base os dados fornecidos por Costa Goodolphim na sua obra "As Misericórdias", e que coloca a Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória em 11º lugar na lista primitiva das fundações das Misericórdias do ano de 1498.

Desde a sua fundação, a Misericórdia da Praia da Vitória sempre se dedicou a actividades de carácter sócio-caritativo. A sua esfera de acção abrangia (continua a abranger) a ajuda aos mais pobres, doentes, tanto a nível material como espiritual. As 14 Obras da Misericórdia, 7 corporais e 7 espirituais, continuam actuais. A saber:

Obras Corporais 1ª Dar de comer a quem tem fome; 2ª Dar de beber a quem tem sede; 3ª Vestir os nús; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Assistir aos enfermos; 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais 1ª Dar bons conselhos; 2ª Ensinar os ignorantes 3ª Corrigir os que erram; 4ª Consolar os tristes; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Nos seus primórdios a Misericórdia da Praia tinha como principais receitas os bens-de-raíz e os foros.

Aquando das grandes epidemias que assolaram a ilha, esta Instituição secular prestou um valioso contributo aos mais desprotegidos. Aos pobres matou a fome e aos mortos, de forma condigna, enterrou-os.

Neste século, durante um surto de peste, a Santa Casa abriu as portas do seu Hospital para receber os doentes. Este Hospital manteve-se aberto até 1974, altura em que foi institucionalizado pelo Governo.

Neste final de século, a Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, possui em funcionamento permanente 8 valências:

O Jardim de Infância de São Lázaro, aberto em 1977, com 4 salas e beneficia cerca de 80 crianças;

O Jardim de Infância "O Ninho" na Serra de Santiago, freguesia das Lajes, abriu em 1983 e dá apoio a uma área fortemente degradada em termos habitacionais e sociais. De 25 crianças no início do seu funcionamento, neste presente momento, conta com apenas 11. Esta diminuição prende-se com a aplicação de programas de realojamento e do Rendimento Mínimo Garantido, os quais, têm vindo a dar excelentes indicações para o futuro;

A Ludoteca em funcionamento desde Setembro de 1991, conta com uma frequência de 37 crianças;

A Creche de São Lázaro, com uma frequência de 36 crianças, abrange idades entre os três meses e os 3 anos.

Para além das referidas valências, a Santa Casa possui serviços administrativos, uma farmácia, principal fonte de rendimentos, uma casa mortuária.

Ainda na área social, é a Entidade Gestora e Executiva do Projecto de Luta Contra a Pobreza "Sementes de Mudança", projecto que funciona desde 1997 e que tem como principais objectivos a promoção e integração sócio-económica de uma franja de população que se encontra em exclusão social.

Para o III Milénio, esta INSTITUIÇÃO de SOLIDARIEDADE SOCIAL, pretende dar continuidade às 14 Obras da Misericórdia.

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