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Mãos cheias de projectos
Recuperar o edifício do actual Centro de Saúde da Praia e concluir a
construção da farmácia são, para já, os dois grandes projectos da Santa Casa da
Misericórdia da Praia da Vitória, comentou em voz alta Francisco Jorge - O Provedor
ao nosso jornal.
A conclusão rápida da nova farmácia é, para já, a grande
prioridade, uma vez que é considerada como o ganha pão (principal fonte de receita) para
misericórdias que esta instituição tem de praticar dia-a-dia.
Depois, mãos à obra recuperar e adaptar o actual Centro de Saúde,
cujo edifício pertence à Santa Casa, numa Enfermaria de Rectaguarda um
complemento ao Lar D. Pedro V para doentes acamados e em fase terminal.
Os sonhos não custam dinheiro e como, quando o homem sonha... O
Provedor da Santa Casa (também conhecido por "irmão Francisco") tem uma mão
cheia (pelo menos uma. Cada vez que sonha) de projectos. A construção de um Abrigo Amigo
com edifício já adquirido -, a construção de novas instalações para o Jardim
de Infância de S. Lázaro (no mesmo local) e continuar a lutar contra a pobreza através
das "Sementes de Mudança".
Francisco Jorge não quer também descorar a luta contra a
toxicodependência e o alcoolismo, por isso, garante que vai continuar a trabalhar de
mãos dadas com o Instituto de Acção Social - para que as "Obras" da
Misericórdia cheguem a todos os necessitados.
O "irmão" Francisco garante ainda que 500 anos depois a
Santa Casa da Praia da Vitória ainda tem muito caminho para desbravar e para tal basta
trabalhar e sonhar. Daquí a 500 anos veremos, que afinal ainda havia muito caminho para
percorrer diz com ar de quem está cá para ver. Veremos!
R.M./M.C.
A maior festa dos últimos
500 anos
A Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória festejou nos dias 25
e 26 de Junho o encerramento das Comemorações dos seus 500 anos.
Do programa constou, no dia 25 de Junho, Sábado, o lançamento do
Livro "Misericórdia da Praia da Vitória Memória Histórica", da autoria
do escritor Valdemar Mota, com capa e contra capa de Cota Moniz.
Foram oradores Cota Moniz, Presidente da Assembleia Geral, desta
Instituição praiense, que frisou, no seu discurso de apresentação, o facto de esta
obra ser também "uma provocação para o futuro" e, João Maria Mendes,
elemento da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, fez referência a
vasta obra de Valdemar Mota e uma breve resenha deste novo livro.
Dividido em 4 capítulos, com prefácio do historiador Joaquim
Veríssimo Serrão, esta edição comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia
da Praia da Vitória, segundo Valdemar Mota: " pretende dar ao leitor uma perspectiva
histórica, possibilitando futuras investigações" ideia também solidificada por
João Maria Mendes.
Do programa constou ainda a ante-estreia do espectáculo "Sermão
de Santo António aos Peixes" do Padre António Vieira, cuja encenação
dramartúrgica e concepção esteve a cargo do actor Gonçalo Oliveira, produção de
Filomena Viveiros, com música original de Marco Aurélio e cenografia do arquitecto Bruno
Pereira Leite.
No dia 26 houve lugar a uma Missa de Acção de Graças na Igreja de
Santo Cristo, com Coroação.
Seguiu-se uma almoço tradicional, função, que contou com mais de 450
pessoas.
Uma História com 500 anos
Durante a Idade Média cabia ao Clero, às ordens medicantes, assistir
os mais pobres e só indirectamente os doentes.
A Assistência não entendida como uma função de um poder
instituído, neste caso a Monarquia, mas sim, de todos os Cristãos -praxis assistencial
como objectivo a salvação eterna individual.
Na Europa de Trezentos e mais tarde em Portugal, o conceito de
Assistência passa a ser entendido como uma função do poder central. O que era entendido
como uma prática de direito religioso, torna-se uma preocupação do poder político.
Quando D. João II cria, em Lisboa, o hospital real de Todos-os-Santos, na calha, estaria
o enfraquecimento da Igreja.
Quando D. Leonor, esposa de D. João II. instituiu a 15 de Agosto de
1498 a primeira Misericórdia do país, a Misericórdia de Lisboa, esta enquadrava-se
também nesta nova visão de assistência centralizadora.
A Misericórdia da Praia.
Não se sabe ao certo a data da sua fundação. Aponta-se para o ano de
1498, tendo por base os dados fornecidos por Costa Goodolphim na sua obra "As
Misericórdias", e que coloca a Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória em
11º lugar na lista primitiva das fundações das Misericórdias do ano de 1498.
Desde a sua fundação, a Misericórdia da Praia da Vitória sempre se
dedicou a actividades de carácter sócio-caritativo. A sua esfera de acção abrangia
(continua a abranger) a ajuda aos mais pobres, doentes, tanto a nível material como
espiritual. As 14 Obras da Misericórdia, 7 corporais e 7 espirituais, continuam actuais.
A saber:
Obras Corporais 1ª Dar de comer a quem tem fome; 2ª Dar de beber a
quem tem sede; 3ª Vestir os nús; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Assistir aos
enfermos; 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos.
Obras Espirituais 1ª Dar bons conselhos; 2ª Ensinar os ignorantes 3ª
Corrigir os que erram; 4ª Consolar os tristes; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com
paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.
Nos seus primórdios a Misericórdia da Praia tinha como principais
receitas os bens-de-raíz e os foros.
Aquando das grandes epidemias que assolaram a ilha, esta Instituição
secular prestou um valioso contributo aos mais desprotegidos. Aos pobres matou a fome e
aos mortos, de forma condigna, enterrou-os.
Neste século, durante um surto de peste, a Santa Casa abriu as portas
do seu Hospital para receber os doentes. Este Hospital manteve-se aberto até 1974, altura
em que foi institucionalizado pelo Governo.
Neste final de século, a Santa Casa da Misericórdia da Praia da
Vitória, possui em funcionamento permanente 8 valências:
O Jardim de Infância de São Lázaro, aberto em 1977, com 4 salas e
beneficia cerca de 80 crianças;
O Jardim de Infância "O Ninho" na Serra de Santiago,
freguesia das Lajes, abriu em 1983 e dá apoio a uma área fortemente degradada em termos
habitacionais e sociais. De 25 crianças no início do seu funcionamento, neste presente
momento, conta com apenas 11. Esta diminuição prende-se com a aplicação de programas
de realojamento e do Rendimento Mínimo Garantido, os quais, têm vindo a dar excelentes
indicações para o futuro;
A Ludoteca em funcionamento desde Setembro de 1991, conta com uma
frequência de 37 crianças;
A Creche de São Lázaro, com uma frequência de 36 crianças, abrange
idades entre os três meses e os 3 anos.
Para além das referidas valências, a Santa Casa possui serviços
administrativos, uma farmácia, principal fonte de rendimentos, uma casa mortuária.
Ainda na área social, é a Entidade Gestora e Executiva do Projecto de
Luta Contra a Pobreza "Sementes de Mudança", projecto que funciona desde 1997 e
que tem como principais objectivos a promoção e integração sócio-económica de uma
franja de população que se encontra em exclusão social.
Para o III Milénio, esta INSTITUIÇÃO de SOLIDARIEDADE SOCIAL,
pretende dar continuidade às 14 Obras da Misericórdia.
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