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Obras de
Fachada- Victor Ramos
O futuro do
cais do Porto das Pipas está garantido; a Ma-rina quase concluída;
os postos da iluminação de toda a mar-ginal, substituídos
por outros com mais e maior manutenção; a ETAR a dejectar
para o saco da angra.
Sei que a
minha linguagem não vai além do meu universo. Mas, segundo
Théophilo Gau-tier: Tudo passa. Só a arte robusta possui
a eternidade, e os socialistas já perderam a oportunidade para apresentar
arte robusta. Deitam abaixo os hotéis e reedificam o edifício
do turismo pelo teto.
Desde a outra
senhora, pas-sando pela governação PPD/PSD, acabando no socialismo
de rosto humano, chegamos ao inconcebível, que é abrir as
portas ao turismo sem camas para o deitar. Com esta mu-dança de
cor política, esperá-vamos inovações e só
nos saíram aberrações.
Cabo Verde,
castanho sem verdura, estuda as nossas difi-culdades, para corrigir as
suas asneiras. Apoiamo-los, ensina-mos. Mas eles vêem aquilo que
não enxergamos: facilitar a entrada, de divisas externas, no arquipélago
com a participação de terreno e menos impostos; para além
de outras facilidades burocráticas e utilidades. Aca-bam de criar
uma sociedade pública aberta a parceiros pri-vados. A Sociedade
de Desen-volvimento Regional da Boa-vista; com boa visão concluíram
que o Oficial de Dia deve provar o rancho para ver o seu estado, mas distribui-lo
pelas tropas, a quem a comida do tacho se destina. Em termos de justiça
o Governo cabo-verdiano, em Macau, foi assinar um protocolo com os chineses.
São estes que têm a devida paciência para tal cola-boração.
Embora, se tente en-saiar, ou lançar a isca, para se formar uma
comunidade tipo Reino Unido Português exten-si-vo a S. Tomé
e Príncipe.
A Oásis
Atlântica, sociedade portuguesa para desenvolvi-mento turístico,
está investindo naquele Arquipélago, aonde vê que pode
ter garantias de re-torno do seu investimento. Principiando pelas três
cidades principais, com boas praias, está construindo hotéis
com os seus acessórios de lazer e entre-tenimento nocturno. Isto
é, principiaram e, ao mesmo tem-po, desconcentrando, pelas cidades
da Praia, Mindelo e S. Filipe. Desta forma não cen-trali-za-ram
na Capital como aqui queriam e querem fazer em Ponta Delgada. Pois, Mindelo
é a cidade mais verde, e a cidade da Praia boa é para gover-nação.
Mais atrasados, mas não afirmam que turismo é Ponta Delgada
e o resto é só paisagem. Os cabo-verdianos querem, crêem
e esperam um desenvolvimento harmónico, mas diferente da harmonia
açoriana.
Vejam se eles
assim proce-dessem na sua cidade da Praia? Mindelo, a mais bela, ficaria
deserta só para pretinho viver e produzir mornas para o resto das
ilhas.
Mas, também,
nós tercei-renses, pouco podemos adian-tar. Não vemos que
estamos cercados de mar num perímetro que não chega aos cem
quilómetros. Desta forma, per-dida a noção da nossa
peque-nez, não atingimos que discórdia entre a Praia e Angra,
não passa da guerra do alecrim e da manjerona. E o resultado, como
exemplo, está na Estala-gem da Serreta. Nasceu torta, torta se desmoronará.
Quando tão fácil teria sido reactivá-la, dar-lhe lazer
e facilidades com menos burocracia criada e vei-culada de S. Miguel com
o beneplácito de Lisboa. Porque a discriminação é
anticonstitu-cional e, por isso mesmo, o Presidente é-o de todos
os portugueses a tempo inteiro e não só em pré-campanha
e na campanha. Deveria ter mais atenção para as assimetrias
aço-ria-nas. Assim sendo, tem uma palavra quando não se cumpre
a Constituição na Região, mes-mo que autónoma.
Porque não pode haver só a capital, e o resto que tanto deu
ao país e à região ficar, somente, para mirones passarem
como por cima de brasas.
E, porque
estou falando de crescimento harmónio, Portu-gal, no dia 17 de Julho
passa-do, entregou em Bruxelas, pela mão do ministro José
Sócrates, 29 novos sítios protegidos para a Rede Natura.
Será que o pico do Pico, ilhéu do Topo, Contendas, Serreta,
S. Lou-renço, ilha do Corvo entre outros projectos, foram ou já
constam dessa linha da Rede Natura?
Quem pergunta
não ofende, mas é que da forma que so-mos esquecidos, nada
nos a-dmi-raria só termos zonas protegidas a nível regional
sob a égide do senhor presidente de todos os açorianos que
falam o mesmo dialecto. E isso não nos basta para o desenvolvimento
turístico açoriano.
Corrigir erros
da Autonomia
também
é aprofundá-la A democracia que os intrépidos
militares de Abril devolveram aos portugueses com cravos na ponta das suas
armas e quase sem derramamento de sangue esteve, e sempre se tem mantido,
vulnerável a ? Moniz Bettencourtgolpes palacianos.
Desde logo,
surgiram encapotadas tentativas, felizmente sem êxito, de regresso
a uma nova ditadura do mesmo sinal ou de sinal contrário.
A falhada
manifestação silenciosa em Março e a derrotada intentona
de 25 de Novembro de 1975 justificam, claramente, à luz do que hoje
se conhece, esta nossa afirmação.
Os co-autores
desses atentados à democracia só não conseguiram as
suas nefastas intenções porque representavam minorias e se
lhes opuseram maiorias de portugueses, de diferentes correntes de opinião,
mas todos saturados da administração de partido único
de mais de quarenta anos.
Quer queiramos
quer não, há acontecimentos de que fala a História
dos povos que ciclicamente se repetem, ainda que com diferentes matizes,
mesmo que se grite bem alto que “O Povo unido, jamais será vencido”!
Os políticos
da primeira República também tiveram, desde o seu advento
em Outubro de 1910, a constante preocupação de defender a
sua democracia, porque o perigo espreitava a cada canto. Sobretudo, quando
ao interesse nacional se sobrepunha a luta partidária pela hegemonia
política.
Mas o nosso
povo, já nesse tempo, confiando em promessas fáceis de fazer
mas também facilmente esquecidas, aceitou ingenuamente com boa a
Constituição de 1933 que havia de vir a dar à luz
a ditadura, rotulada de Estado Novo, cujo malefícios algumas gerações
sofreram... e de que as novas ouvem falar sem lhes dar muita atenção,
ao que parece!
Sem pretendemos
ser derrotista ou “Velho de Restelo”, ao assistirmos hoje a quase diárias
manifestações reivindicativas de rua ou, se preferirem, de
indignação, por todo o país, somos tentados a concluir
que estamos vivendo dias que devem merecer uma especial atenção
dos nossos legais governantes... porque todo o cuidado é pouco.
Os açorianos
acabam de entregar o poder, em eleições livres e de acordo
com a Lei Eleitoral em vigor, aos que de uma maneira um tanto ou quanto
capciosa, ambicionavam uma maioria absoluta para governarem a Região
segundo uma NOVA AUTONOMIA, que não necessita de ser aprofundada,
segundo percebemos das palavras de Sua Excelência, o Presidente do
Governo Regional, no seu discurso de recondução.
Porém,
não nos restam dúvidas de que só uma democracia controlada
pelos partidos oferece as virtualidades para que numa Região de
parcos recursos, como esta nossa, seja possível alcançar
um mais, integrado e sustentado desenvolvimento que a todos beneficie.
A pseudo AUTONOMIA
TRANQUILA (!) que tivemos durante alguns anos, enfermou, sem dúvida,
de condenáveis discriminações, metendo na “gaveta”
projectos que são aspirações justíssimas das
gentes teimosamente residentes nas ilhas, por alguns, acintosamente tidas
por “ILHAS DE BAIXO”(!). Tome-se, como expressivo exemplo, o já
velho projecto de Defesa da Nossa Orla Costeira.
E é,
por isso que, com o devido respeito, discordamos da dita referência
ao seu não aprofundamento. Porque corrigir permanentemente os seus
desvios e vícios também é aprofundá-la.
E porque sé
assim se conseguirá o desenvolvimento que é justa ambição
de todas as ilhas, particularmente dessas que a olho nu se vê, ainda
o não mereceram e lhes tem vindo a ser sistematicamente recusado.
Moniz Bettencourt
Coimbra, Figueira
da Foz
e Mira Coimbra,
Figueira da Foz
e Mira
Pelas 10 horas
do dia 24 de Julho, a caravana terceirense zarpou de Aveiro em direcção
à cidade de Mondego, onde estavam previstas visitas ao “ Portugal
dos Peque-ninos”, à Universidade e a outros centros de interesse
histórico e turístico. Infelizmente, o espesso nevoeiro e
a chuva persistente não permitiram que saíssemos do au-tocarro
e deambulássemos pelas ruas da história e culta cidade. O
encanto da Coimbra dos fados e das des-garradas, dos estudantes e doas
tricanas, das repúblicas e das serenatas, das praxes e das queimas
de fitas, não passou de míticas reminiscências a emoldurar
antigos sonhos de juventude de irrequieta, irreverente e boémia.
Para quem
conhecer a Coimbra do Choupal e do Penedo da Saudade noutras ocasiões,
foi confrangedor rever a mais doutora urbe de Portugal envolta num infindável
manto cinzento, orvalhado mais pelos sentimentos de desapontamento e desânimo
do que pelas gotículas duma chuva miudinha. Apenas pudemos apreciar
o impressionante Mosteiro de Santa Clara; após a sua visita, era
já a hora de almoçar, o que aconteceu num vasto e agradável
restaurante.
Foi pena não
podermos cantar “ Coimbra tem mias encanto” na hora da despedida nem pormos
um ramo de flores na campa de Mestre Vitorino Nemésio, sepultado
no Cemitério dos Olivais. Ficará para outra oportunidade.
A esperança é a última coisa a morrer. Coimbra ficou
por conhecer, apenas por agora.
Às
15 horas, rumámos para a cidade-praia, a Figueira da Foz. Apesar
do intenso nevoeiro (que não se abate apenas sobre as nossas ilhas),
ainda os membros do Orfeão da Praia e acompanhantes conse-guiram
vislumbrar parte dos arrozais das margens do Mondego e algumas fatias de
pequenas paisagens de povoações a quererem despontar
por entre o enevoado.
Para quebrar
a monotonia e levantar um pouco o moral do grupo, fizemos uma paragem numa
grande superfície comercial a meio do trajecto. Mas aqui nada de
novo, a não ser alguns guarda-chuvas (muito necessários)
e uns saquinhos de aperitivos para entreter os dentes e combater a monotonia.
Em cada quilómetro
percorrido aumentava a decepção. A expectativa do bom tempo
na Figueira ia mor-rendo a pouco e pouco. O nosso Olivério e mais
alguns coralistas entoavam a conhecida canção “Fi-gueira,
Figueira da Foz”, mas esta não queria ainda dar um ar de sua graça.
Por fim, chegámos ao centro urbano com grande alívio e desejo
de calcorrear as suas ruas, entrar nas suas cervejarias e lojas de “sou-venirs”.
O autocarro ficaria imobili-zado nas imediações da Torre
do Relógio, o ex–líbris da vastíssima praia e u ponto
de referência e de encontro para evitar a proliferação
de Dons Sebastiões por entre nevoeiros. Por azar, já bastou
o de Alcácer-Quibir da História e nós não está-vamos
interessados em suceder-lhe no desaparecimento e na desgraça.
A tarde já
reclinava a sua fronte, não que a víssemos a olho nu, mas
pelos ponteiros do imponente relógio sabíamos que odia chegava
ao seu termo. Era preciso regressar ao ponto de encontro, onde esperamos
alguns minutos pelos que se distraíram nas compras e no mirar dos
exóticos candeeiros de uma das artérias principais da cidade.
E por entre o nevoeiro e o movimento engasgado de viaturas, lá ficamos
prisioneiros durante longos e intermináveis minutos. A Figueira
persistia em não deixar que dela saíssemos, mas nós
só pensávamos na etapa seguinte – a Vila de Mira, estância
balnear e local de Encontro de Coros. Ao chegarmos havia não apenas
nevoeiro mas chovia e trovejava. Mas, com que por milagre, o tempo melhorou
muito e mesmo com as ruas cheias de água, S. Tomé passeou
em pro-cissão no dia da sua festa e, ás 20h30, como estava
programado, iniciou-se na Matriz de Mira com a igreja abarrotada
de gente, a grande noite de música coral. Depois do imprescindível
ensaio e de uma bifana à pressa, lá foi o brioso Orfeão
da Praia para a mais noite de gala musical , na que seria vibrante-mente
aplaudido. O repertório, como era de esperar, foi predominante-mente
constituído por música popu-lar açoriana. O Orfeão
da Praia actuou a seguir ao Grupo Coral de Mira que deu as boas –
vindas aos grupos visitantes, interpretando apenas três peças.
Participaram
ainda o Grupo Coral David de Sousa da Figueira da Foz e o Grupo Coral Juvenil
Silvia Mar-ques Mortágua, com cerca de 70 elementos com idades compreendidas
entre os 8 e os 21 anos e que empolgou quase todos os presentes pela sua
vivacidade e alguma tea-tralidade à mistura-se, diga-se.
Todos os coros
deram o seu melhor e os seus cânticos embele-zaram ainda mais, a
bela Matriz de Mira, construída pelos Crúzios de Coimbra
e obra de estilo maneirista (Renascença) dos finais do século
XVII (1690). De fachada simples, ladeada por uma porta axial e um
pequeno nicho. O seu interior é composto por um altar-mor, dois
colaterais do século XVIII e XIX e uma capela no corpo. A qual é
revestida de azulejos setecentistas de fabrico coimbrão com 13 painéis
alusivos à Paixão de Cristo. Os tectos são de madeira
com pinturas da época barroca (como pudemos ler e constatar).
Após
esta noite memorável e inesquecível, que encerrou com trocas
de lembranças e felicitações, o Orfeão da Praia
e todos os demais grupos confraternizaram numa lauta ceia que teve lugar
no estabelecimento escolar local.
E já
passava da uma da madrugada quando a caravana musical praiense iniciou
o seu muito divertido retorno a Eirol. Dir-se-á que a esfuziante
alegria era agora a vingança contra o mau tempo vinda. Mais uma
vez se verificou a justeza do adágio “após tempestade vem
a bonança” e da canção “atrás de tempos, tempos”.
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