|
Praia 2001
Odisseia
no Futuro
O que ainda
ontem era uma meta longínqua para muitos, é hoje o presente:
estamos no terceiro milénio. Quando a geração do pós-guerra
se queria referir a um ancião, homem já de idade, símbolo
de sabedoria e experiência, dizia que ele nascera no século
passado ( no séc XIX, claro)...
Só que
agora, ainda o séc XXI é um menino, e já nós
todos novos e velhos, nascemos no século passado !
Temos todos
de continuar esta aprendizagem de viver num planeta atulhado de gente,
com 6,5 biliões de habitantes, mais de metade na Ásia e África.
Com escassez de recursos em várias áreas (energética,
por ex. È ver o preço do petróleo a crescer ). Com
graves problemas a nível do ambiente, com a natureza de vez em quando
a lembrar que é bom não brincarem com ela.
Apesar de
tudo e do mais, este é um desafio que se abre também aos
açoreanos e aos praienses em particular. Vivemos todos uma ocasião
única nas nossas vidas ao celebrar um tríplice aniversário
:
Fim do ano
; Fim do século ; Fim do milénio.
Esta geração
não mais viverá efeméride igual, pois que não
estaremos por cá para ver outro século. Com este iremos,
deixando aos nossos filhos a tarefa de continuar a Praia da Vitória,
os Açores.
Há
ainda um longo caminho a percorrer no sentido da modernidade, não
como um histérico agarrar de tudo o que é novo, porcaria
ou não, mas como uma abertura serena às novas formas de organização
da sociedade, à afirmação da pessoa humana como centro
e razão de ser .
O final do
séc XX , com a governação socialista quer na República
quer nos Açores, trouxe melhor qualidade de vida para a generalidade
dos açoreanos, e em particular para os beneficiários das
medidas de combate à exclusão social, conferindo-lhes modestos
mas úteis meios para se afirmarem como pessoas , como cidadãos,
quer a nível de rendimento quer de habitação.
Esta é
uma tendência imparável, e que só não é
ainda mais acentuada porque ainda existem muitos sem voz, sem capacidade
de intervenção. Que não se iludam alguns elitistas,
convencidos que as Ilhas existem para eles e mais meia dúzia : Tiveram
a resposta nas eleições para a Assembleia da República
; para o Parlamento Europeu ; para a Assembleia Regional . E esperemos
para ver as da Presidência da República ...
E isto num
concelho onde os órgãos autárquicos são em
grande parte de maioria social-democrata.
A Praia da
Vitória tem de encarar o Futuro sem complexos de filho segundo,
mas antes como um dos quatro ou cinco maiores e mais importantes
concelhos do Arquipélago dos Açores. Os seus responsáveis
têm de deixar de vez uma política de afrontamento e lamúria,
e trocá-la por uma de cooperação institucional e afirmação
dos seus méritos próprios.
É ver
os exemplos doutros concelhos, como a Ribeira Grande, Vila Franca do Campo,
Calheta, e outros, que souberam distinguir a diferença de perspectivas
da necessidade de coordenar esforços entre o Governo Regional e
as Autarquias. É que os concelhos e as freguesias não devem
ser considerados como últimos redutos, que se conquistam ou conservam
porque o resto andou, mas porque o bem estar das populações
tem de ser o objectivo primeiro.
O tão
falado e real eixo Porto – Aeroporto, que torna a Praia um caso único
nos Açores, tem de ser dinamizado agora com o melhor Porto de Pescas
dos Açores e o Parque Industrial que esta Governação
Regional possibilitou, para não falar no Matadouro que vem aí,
e a Marina em conclusão.
Há
que assumir isto sem complexos e até com satisfação.
O sarcasmo do “quanto mais me bates mais gosto de ti “ não parece
ser grande coisa em benefício dos praienses.
Há
que dar voz e expressão à chamada sociedade civil, empresários,
lavradores, pescadores, grupos e associações religiosas,
sociais, culturais, etc, mas não sòmente às
que nos prestam vassalagem e são da nossa cor, pois os cidadãos
conscientes não gostam de caciquismo e beija-mão.
Bom seria
que o exemplo viesse da Praia cidade, sede do concelho,
e a sua quase
única freguesia, Santa Cruz, visse nascer neste início de
século outras irmãs, fossem elas Santa Rita, Santa Luzia
e Juncal, ou Casa da Ribeira.
Também
nas nossas famílias nos temos de separar para crescer e progredir,
e uma saudável e natural concorrência a nível urbano
iria ser um poderoso factor de desenvolvimento, com reflexos nas demais
freguesias, a exemplo do que sucede em todas, mas todas , as demais cidades
dos Açores e não só.
O Futuro não
vem aí, ele já cá está,
com todas
as suas incertezas e esperanças. Por ele esperámos e para
ele trabalhámos, para que os nossos Filhos o possuam plenamente,
Praienses de coração — sempre ! – mas de olhos bem
abertos ao mundo ,à modernidade.
|